o livro amarelo do terminal

17Jul08

conheci o texto de vanessa bárbara há dois anos. eu estava no trainee, quando foi lançada a piauí (rima rica!), cuja primeira edição contava com o genial “bom dia, meu nome é sheila”, sobre operadores de telemarketing. foi engraçado, porque, na época, eu e os amigos-trainees ficamos fascinados com o texto de vb. primeiro porque partiu de uma idéia banal _era a pauta gritando “olha eu aqui”, como nossa querida ana estela falava que acontecia_, mas que só ela tinha percebido. segundo porque ela conduziu tudo com uma precisão e um bom humor que são difíceis de serem encontrados, principalmente juntos.

no final do mesmo ano, fiz, com estêvão, uma matéria pro folhateen sobre novos escritores. tentei falar com ela, mas ela num foi nada receptiva. mulher chata, pensei. metida.

dois anos depois, vb chega às prateleiras com dois livros: “o verão do chibo”, em parceria com emilio fraia, e “o livro amarelo do terminal”, resultado do projeto de conclusão do curso de jornalismo. comprei os dois, mas, até agora, só li o segundo, que é sensacional.

além de ter o projeto gráfico mais bonito que eu já vi em livro nacional (é assinado por elaine ramos e maria carolina sampaio), o livro é daqueles que você lê numa tacada só. tem humor, tem histórias bem pinçadas, tem sarcasmo, tem informação.

o livro é uma grande reportagem, com ecos de literatura, sobre a rodoviária do tietê. em vez de mostrar só o amontoado de gente que passa por lá diariamente, principalmente em feriados e datas festivas, quando o movimento segue acima do normal, o rodízio de veículos é suspenso e o trânsito fica lento nas principais rodovias da cidade, vb conta fragmentos das histórias da recepcionista, do vendedor da le postiche, do funcionário que puxa uma cordinha de sinalização, de motoristas que fazem, há anos, os mesmo caminhos escuros, dos passageiros que partem ou esperam quem chega.

histórias de vida, resumindo. o livro poderia ter apelado para o clichê (coisa do tipo “por trás desse balcão de informações, há uma pessoa com coração, desejos e sonhos”), mas não. vai além. no meio de um lugar tulmutuado, para onde muita gente vai apenas por necessidade, vb encontra poesia. e faz, mais uma vez, uma excelente mistura entre jornalismo, literatura, informação e bom humor.

e é por isso que “o livro amarelo do terminal” vai direto pra minha nunca elaborada lista de favoritos. corram na livraria mais próxima e comprem o seu!



3 Responses to “o livro amarelo do terminal”

  1. 1 cris

    é muito bom mesmo o texto da piauí #1, dos telemarqueteiros. não tinha ligado nome à pessoa! já tava paquerando “o verão do chibo”, de longe, agora eu vou chegar 🙂

  2. 2 Thais

    Mais um pra longa lista!!!!

  3. 3 bacastro

    Deve ser ótimo mesmo, dani. aquele primeiro texto dela – e os traumas que ele gerou pra nossa auto-estima – é mesmo inesquecível! :*


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