nome próprio

14May08

sábado teve pré-pré-estréia de “nome próprio”, filme de murilo salles baseado em livros e posts de clarah averbuck. o filme vale por leandra leal, que interpreta camila, uma personagem hiperbólica que escreve com aquela visceralidade toda que me dá uma certa preguiça. é preciso escrever o tempo todo, qualquer mesa de bar ou pé na bunda servem de inspiração. se uma barata aparece no seu teclado, uhu, aquilo ali vai render, no mínimo, um post pra um blog onde você coloca sua vida em pedaços. e aí acaba que camila fica chata. tão excessiva que vira tédio.

leandra bem que tenta tornar camila interessante (e consegue porque sua atuação é intensa e sincera) e ainda faz a alegria que quem quer vê-la pelada em 87% do tempo. mas o que fazer quando a vida de uma personagem é um marasmo disfarçado por noites de sexo, anfetamina e quase nenhum rock´n´roll (o que me espantou, porque os textos da clarah no brazileira!preta sempre falavam de um velvet aqui, uma nina ali…)?

por tentar retratar essa “coisa blogueira de ser” (e espero ansiosamente pelo dia em que vão parar com papos do tipo “monetização de blogs”), o filme fica num meio termo estranho. letras do post invadindo a tela enquanto camila narra em off suas desventuras, o computador onipresente, sei lá. a internet, que, pra muita gente, é tão natural quanto escovar os dentes, vira uma personagem que domina toda a cena. se a rede fosse só um meio de expressão, e não toda a mensagem, talvez o filme ficasse mais interessante.

e não é que o filme seja de blogueiro, para blogueiro, sobre blogs ou apenas sobre internet. acho até que essa não era a intenção dos roteiristas. mas do jeito que está, posts, stalkers e tectectec parecem maiores e mais importantes do que realmente são. mas, beleza, “nome próprio” se passa em 2000, 2001, época em que a gente até se arriscava a usar pseudônimos pra postar em blogs confessionais. então vale pelo resgate de como um dia a gente usou a internet.



6 Responses to “nome próprio”

  1. 1 jojo

    adoreeeeeei seu parecer. ainda não vi o filme mas me soou como críticas que eu mesma poderia ter feito, me identifiquei com o seu feeling.

  2. 2 Nix

    É complicado isso porque o roteiro é uma adaptação do livro que é uma história de uma personagem ficcional baseada na escritora (uma versão da versão da versão basicamente).
    Não senti tanta falta de rock’n’roll como senti de humor, mas de repente a Camila não é tão bem humorada quanto a autora. Entre a visão do roteirista e do diretor ainda há diferenças também. Acho que fica impossível de ser justo na comparação com o blog, livro, personagem ou autora.

  3. 3 ju.

    também senti falta de várias coisas. talvez tenha a ver com a expectativa pelo filme… mas, cadê o róque? cadê a ironia? cadê a são paulo cinza-concreto que ela falava?

    eu vi a estréia no festival de cinema ano passado. leandra na cadeira da fila ao lado. fiquei impressionada, ela é uma excelente atriz. melhor do que eu esperava até.

    e é o que o nix falou… adaptação é apenas a versão feita por alguém. e eu sei que, pelo menos, a minha versão não é igual à do murilo salles.

    ah e bizarramente ‘nome próprio’ me lembrou ‘nina’, do heitor dhalia.

    (:

  4. nao sei pq, mas tenho “ginje” de leandra leal (como a gente fiz la na bahia)…
    me irrita…assim, gratuitamente.
    vai saber…

  5. ps: viu o fail dog????

  6. Estou mega curiosa por causa do meu lado blogueira antiga que acompanha história dos blogs desde sempre.


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s


%d bloggers like this: