one more time

01Nov07

Nossos objetos de amor talvez sejam sempre assim, familiares até o dia em que, na hora de uma separação, a própria paixão os torna totalmente estranhos. (…) A história de Rímini e Sofía me evocou um trecho da autobiografia de Tchecov (“Minha Vida”, ed. Nova Alexandria), em que o escritor comenta que o ditado “tudo vai passar” pode tanto aliviar nossa tristeza com a idéia de que dias melhores virão quanto mitigar nossa euforia com a idéia de que as vacas magras voltarão. Mas, por útil que seja, essa sabedoria é falsa: nada passa, nunca; tudo o que acontece é indelével. Acrescento: sobretudo os amores, por mais que acabem, continuam vivendo, subterrâneos, dentro de nós, porque, bem ou mal, são essas as vivências que mais nos formaram e transformaram. (…)

Não funcionamos diferente: é possível guilhotinar os amores do passado ou (menos radical) apagar seus números de nosso celular, é possível até queimar fotografias -embora dificilmente sacrificaremos aquele desenho que compramos juntos, num sábado, na praça Benedito Calixto. De qualquer forma, mais que a lembrança, os rastros do passado sempre assombram o presente e o futuro.  Quando decretamos novos começos, ilusórios ou não, nem por isso conseguimos apagar nossa história: podemos apenas contá-la mais uma vez, quem sabe revisá-la ou corrigi-la, para pior ou para melhor.

contardo, meu muso



8 Responses to “one more time”

  1. lindo! meu muso também.

  2. 2 Amauri Gonzo

    1 – Se for contar pelas tags deste blog, a Dani é feita de música e amor.

    2 – “E isto também passará”. Contardo é foda, mas desapego budista também.

  3. 3

    Perfeito dani! sempre digo que o amor não acaba, mas nunca que conseguiria escrever desse jeito! :*

  4. 4 daniarrais

    queria fazer análise com ele
    =p

    ai, que lindo, gonzo!
    adorei! agora se me perguntarem de que fala meu blog, vou dizer: música e amor
    =~

    ele é foda, né? quanta saudadeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee =*

  5. nosso muso. sabe que eu li esse livro há um tempo já, descobri numa viagem à argentina, e gostei bastante, mas não me marcou tanto. depois, com o hype em cima do filme, fiquei com um certo pé atrás. agora, ele, nosso muso, me fez relembrar por outros ângulos da história do rímini e da sofia.

    beijo!

    ps: mulher, como vc é produtiva. cada vez que entro aqui tem uma meia dúzia de posts novos!

  6. é meu muso tb…
    e essa história de não se apagar o passado é a história do papagaio que fala com a voz do menino morto que eu coloquei lá no Pescarias. mas Contardo é muito mais foda que eu, logicamente! hauahuah
    bjão!

  7. 7 Juie

    Texto genial. Escrevi uma coisa parecida em um papo com um amigo – lógico que sem tamanha qualidade, mas exatamente nessa idéia.
    ah, essa coisas que constróem a gente…
    Saudades de tu.
    Beijos

  8. 8 daniarrais

    simone, foi só vc falar que eu empaquei! ahhaha
    e eu to lendo o livro agora, tô adorando…
    =)

    eita, vou ler!!
    =)

    me mostra, juie?
    muita saudade!

    =*


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